segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Análise comparativa sobre a abordagem do tema e das escolhas formais entre os poemas religiosos de José de Anchieta e Gregório de Matos.


Analisando os poemas Em Deus, meu criador de José de Anchieta e A Jesus Cristo Nosso Senhor de Gregório de Matos podemos notar como a poesia reflete o contexto histórico em que foi escrita – ambos possuem a temática religiosa, porém sua abordagem e sua forma são totalmente diferentes.
Quando Anchieta escreveu Em Deus, meu criador, os jesuítas estavam em missão de catequizar os índios e o poema possui características perfeitas para isso: tem uma linguagem mais simples, um modelo popular do tipo que fica preso com facilidade na mente de seu ouvinte – os indígenas que no caso ainda estavam aprendendo a língua portuguesa. Em um estilo totalmente diferente, Gregório de Matos utiliza o soneto como sua forma e também faz o uso de palavras mais rebuscadas em sua composição – características da poesia barroca.
Na abordagem do tema religioso, em contraposição ao modelo quinhentista de Anchieta, o poema A Jesus Cristo Nosso Senhor de Gregório de Matos mostra um lado mais pecador do servo de Deus e que mesmo assim, tem uma intimidade com o divino e conversa diretamente com o Todo-Poderoso, suplicando pelo perdão. No texto de Anchieta, é mostrado que a relação entre Deus e seu servo, melhor acontece quando este se entrega totalmente – quem o teme, está mais perto de ser salvo. Essa abordagem é utilizada para que o índio deixe suas culturas ancestrais e seus deuses para que possa seguir o deus cristão.


Texto por: Janaína.
(21/02/2018)

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