terça-feira, 17 de setembro de 2019

Adolescência e ultrarromantismo: em que se parecem?


Estudos apontam que o suicídio é a quarta maior causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos, isso no Brasil. Também, no período entre 2005 e 2014, em uma pesquisa, foi relatado que a porcentagem de jovens entre 12 e 28 anos com depressão cresceu em 37%. É no período da adolescência em que vários desafios são postos na vida de todos e muitas decisões são feitas, descobrem-se novos sentimentos e tudo isso se reflete na expressão de sua arte, é nisso que a adolescência e o ultrarromantismo se parecem – sua intensidade na expressão dos sentimentos.
                              Também chamado de mal-do-século, o ultrarromantismo possuía características como: pessimismo, sentimento de inadequação à realidade, ócio, desgosto de viver, apego a bebida, ao vício... Até mesmo atração pela morte. Um dos estilos musicais que, na maioria das vezes, contém traços semelhantes aos do romantismo da segunda geração é o emocore. Uma das bandas da cena emo que expressou-se bem em suas músicas foi My Chemical Romance, sempre deixando os sentimentos intensos à mostra, sejam esses de amor ou de desgosto.
                              Uma das músicas que melhor retrata isso é Teenagers, que fala sobre a adolescência no melhor estilo Romântico – um olhar pessimista sobre a forma que o adolescente é tratado em sociedade, tendo de mudar seu estilo de se vestir e pensar para ser aceito. Confira um trecho:

They’re gonna clean up your looks / Vão dar um trato no seu visual
With all the lies in the books / Com todas as mentiras nos livros
To make a citizen out of you / Para transformá-lo num cidadão

Because they sleep with a gun / Pois eles dormem armados
And keep an eye on you, son / E ficam de olho em você, filho
So they can watch all the thing you do / Assim podem ver tudo o que você faz
(…)
They’re gonna rip off your heads / Vão arrancar suas cabeças
Your aspirations to shreds / Triturar as suas aspirações
Another cog in the murder machine / Outra engrenagem na máquina assassina
                             
                              E é com este trecho que exemplifico um pouco da complexidade da adolescência que traz obras de sentimentos intensos, o desejo de escapar do real, o pessimismo e a incerteza com o futuro – características que a assemelham ao ultrarromantismo.
                             
Bibliografia

Texto por: Janaína
21/03/2018

Exposição de características barrocas em outras artes (arquitetura, pintura, música...).


·         Música Barroca

Em uma definição mais específica:
“Música barroca é toda música ocidental correlacionada com a época cultural homônima na Europa, que vai desde o surgimento da ópera por Claudio Monteverdi no século XVII, até a morte de Johann Sebastian Bach, em 1750.” (fonte: wikipedia)
Inicialmente podemos destacar Claudio Monteverdi, o compositor de óperas – sua obra Orfeu (1607) é a primeira grande ópera, a primeira obra a combinar música e drama. Mas vale observar que a ópera foi criada na Renascença e aprimorada no Barroco pelos compositores da época. Dentre os estilos vocais na música barroca, além da ópera, podemos encontrar o oratório – que era uma espécie de ópera, mas feita com histórias tiradas da bíblia – e também haviam as cantatas, que eram mini-oratórios, apresentados durante as missas. Como destaques na música vocal, além de Monteverdi, podemos acrescentar Alessandro Scarlatti (compositor italiano de óperas) e George F. Haendel (compositor alemão de oratórios).
Se tratando da música instrumental, o barroco é importante pois é nele que surgem dois estilos puramente instrumentais: a suíte e o concerto. Foi nessa época em que a orquestra começou a tomar forma, tendo os violinos como o centro (também eram acrescentados flautas, fagotes, trompas, trompetes e tímpanos.) Os compositores de música instrumental que se destacam são Johann Sebastian Bach e Dietrich Buxtehude – virtuoses do órgão. Jean-Philippe Rameau, Domenico Scarlatti e François Couperin – virtuoses do cravo. Antonio Vivaldi e Arcangelo Corelli – virtuoses no violino.
·         Antonio Vivaldi – As Quatro Estações

As quatro estações são quatro concertos para violino e orquestra, também é a obra mais famosa de Vivaldi e também se destaca entre as peças barrocas. Cada concerto é separado em três andamentos musicais. Pode-se destacar entre eles, Primavera no primeiro andamento (Allegro) e Outono em seu primeiro andamento (Allegro), sendo estes os mais populares. Diferente de muitas obras musicais, para acompanhar a música, existem sonetos que acompanham a cada concerto e andamento desta obra. Confira abaixo um trecho da poesia:
Primavera – 1º andamento (Allegro)
“Chegada é a Primavera e festejando
A saúdam os pássaros com alegre canto,
E as fontes ao expirar dos Zéfiros
Com doce murmúrio correm entanto:
Vem [um temporal] cobrindo o ar com negro manto
E relâmpagos e trovões eleitos a anunciá-la
Logo que eles se calam, os passarinhos
Tornam de novo ao sonoro encanto.”
·         Link para escutar os quatro concertos: https://youtu.be/GRxofEmo3HA
·         Minutagem: 00:00 – La Primavera; 10:32 – L’estate; 20:59 – L’autunno; 32:48 – L’inverno.
·         Johann Sebastian Bach – Partita em Lá Menor

A música do compositor barroco não foi esquecida e está mais que eternizada – foi sampleada pelo funkeiro MC Fioti na música Bumbum Tam Tam e acabou se tornando um hit de 2017, fazendo com que muitos dos jovens conhecessem o som da flauta envolvente.
·         Link para escutar: https://youtu.be/eSAUwmJLrv4
·         Minutagem, parte que foi sampleada: 00:31 – 0:44.   
·         Glossário

Virtuose: Artista que alcançou elevado nível de sucesso.
Andamento: Chama-se de andamento o grau de velocidade do compasso. 
Samplear: Utilização de trechos de registros sonoros anteriormente realizados para montar uma nova composição (quase sempre musical) por meio de um aparelho chamado sampleador. 
Zéfiro: Zéfiro, na mitologia grega, é o vento do oeste. É o mais suave dos ventos e é considerado o “mensageiro da primavera”. Zeffiretti, no italiano, é o plural e diminutivo de Zéfiro, algo como Zefirinhos… ou seja, a mais leve das brisas.
·         Bibliografia

https://pt.wikipedia.org/wiki/Andamento


Texto por: Janaína
28/02/2018

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

O nacionalismo radical e os riscos sociais na História.


Enquanto o patriotismo mostra um sentindo de amor ao Estado ou seus representantes, o nacionalismo se mostra como uma forte ideologia que chegou até mesmo ao ponto de interferir na História do Mundo. Esse forte sentimento foi essencial na formação dos Estados-nações contemporâneos – tendo um grande suporte em suas culturas. É presente na ascensão de regimes totalitários, em sua forma mais radical, como o nazismo e o fascismo.
            Por mais que seja bom ter um sentimento positivo sobre seu país de origem e sua cultura, este sentimento em excesso pode causar estranhamento e até mesmo preconceito com a cultura de outros países. Exemplo disso, poderia ser o nazismo que sempre sustentou de que a raça ariana era superior às outras. Este pode ser o maior exemplo sobre o impacto do nacionalismo radical na História Humana. O Holocausto nazista afetou não só os judeus, mas também os eslavos, poloneses, ciganos, prisioneiros de guerra soviéticos, deficientes físicos e mentais, homossexuais, maçons e testemunhas de jeová. Só entre os judeus é estimado que morreram 5 934 000.
            O fascismo também foi uma forma nacionalista radical – que defendia o nacionalismo étnico/cultural. Surgiu na Itália, mas alcançou outros lugares como Áustria, Bélgica, Grã-Bretanha, Finlândia, Hungria, Romênia, Espanha, também a África do Sul e o Brasil. A ditadura militar também marca a história brasileira com seu caráter autoritário e nacionalista. Por mais que muitas pessoas que passaram pela época não se lembrem ou sequer saibam do que aconteceu, é fato de que muitas pessoas foram torturadas e exiladas do país. Os nacionalistas japoneses da Era Showa acreditavam que a Ásia só sobreviveria se os seguissem, o que criou um atrito entre os comunistas chineses e os nacionalistas japoneses.
Bibliografia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Nazismo


Texto por: Janaína
(14/03/2018)

Análise comparativa dos poemas de Álvares de Azevedo, Olavo Bilac, Cruz e Sousa e Augusto dos Anjos, considerando tema, estilo e estrutura composicional.



            Iniciando a análise pelo soneto de Álvares de Azevedo (Perdoa-me, visão dos meus amores), podemos perfeitamente associá-lo ao estilo da época em que foi feito. Sua temática remete perfeitamente ao Ultrarromantismo, a segunda fase do Romantismo. Ele demonstra um sentimento exagerado e um ponto de vista subjetivo, chegando até mesmo a dizer que morreria de amor a partir da 9ª estrofe – “Morro, morro por ti! na minha aurora./ A dor do coração, a dor mais forte,” (...).
            Em sua forma, o poema é até um pouco clássico em comparação à proposta Romântica – dar valor ao sentimento e não à forma. Azevedo constrói um soneto com decassílabos: “Per/doa/-me, /vi/são/ dos/ meus /a/mores,”/ “Se a/ ti/ er/gui/ meus/ o/lhos/ sus/pi/rando!...” / “Se eu/ pen/sa/va /num/ bei/jo/ des/ma/iando” / “go/zar/ con/ti/go u/ma es/ta/ção/ de/ flores!” (...) E em questão das rimas, não há um padrão entre rimas ricas e rimas pobres, mas pode-se encontrar rimas ricas como “morte” (substantivo) e “conforte” (verbo) – estando estas na última estrofe. Suas rimas estão organizadas desta forma: ABBA ABBA CDC DCD – rimas interpoladas e rimas alternadas.

            Passando para o soneto de Olavo Bilac (Remorso), percebe-se que mesmo sendo um poema parnasiano que tem como proposta valorizar a forma e não o sentimento, ele tem sua carga emocional um tanto subjetiva. Ele quebra com aquele padrão de poesia que descreve objetos e coloca nela um tom mais sentimental.
            Sobre sua forma, é certo afirmas que como poeta parnasiano Bilac domina no que faz, construindo um belo soneto com decassílabos: “Às/ ve/zes,/ u/ma/ dor/ me/ de/ses/pera...” / “Nes/tas/ ân/sias/ e/ dú/vi/das/ em/ que/ ando” / “Cis/mo e/ pa/de/ço,/ nes/te ou/to/no,/ quando” / “Cal/cu/lo o/ que/ per/di/ na/ pri/ma/vera.” (...) Olavo Bilac também faz uso das rimas ricas morfologicamente, ou seja, de classes gramaticais diferentes: “desespera” (verbo) e “primavera” (substantivo), “ando” (verbo) e “quando” (advérbio), mas também como Álvares de Azevedo, essas não estão presentes em todos os versos: “calando” (verbo) e “cantando” (verbo) são exemplos de rimas pobres contidas no texto. Suas rimas estão organizadas desta forma: ABBA BAAB CDC DCD – rimas interpoladas e rimas alternadas.

            Continuando nossa análise com o soneto de Cruz e Sousa (Siderações), que demonstra grandes características do Simbolismo. Há a menção direta e indireta da cor branca: “De nuvens brancas a amplidão vestindo...” (4º verso) / “Dos etéreos turíbulos de neve” (9º verso) / “Ondas nevoentas de Visões levanta...” (11° verso). Ele tem essa subjetividade espiritual que vai interligando versos como se fossem imagens que surgem: as estrelas de cristais do 1º verso, os arcanjos do 6º verso e as asas de ouro que aparecem no 8º verso, tudo parece se conectar visualmente.
            Sobre sua forma, é mais um soneto formado com decassílabos que analisamos: “Pa/ra as/ Es/tre/las/ de/ cris/tais/ ge/lados” / “As/ ân/sias/ e os/ de/se/jos/ vão/ su/bindo,” / “Gal/gan/do a/zuis/ e/ si/de/rais/ noi/vados” / “De/ nu/vens/ bran/cas/ a am/pli/dão/ ves/tindo...” (...) As rimas utilizadas por Cruz e Sousa seriam classificadas como rimas pobres morfologicamente pois a maioria está na mesma classe gramatical: “subindo” (verbo) e “vestindo” (verbo), “alados” (adjetivo) e “prateados” (adjetivo). Suas rimas estão organizadas desta forma: ABAB ABAB CCD EED – rimas alternadas e rimas emparelhadas.

            Finalizando as análises com o soneto de Augusto dos Anjos (Versos Íntimos), entre os três é o que tem a postura mais agressiva em sua temática falando sobre a ingratidão. O autor escreve de forma que sua poesia não se encaixa nos movimentos literários da época.
    Em sua forma, temos mais um soneto formado com decassílabos: “Vês!/ Nin/guém/as/sis/tiu/ ao/ for/mi/dável” / “En/ter/ro/ de/ tua/ úl/ti/ma/ qui/mera.” / “So/men/te a/ In/gra/ti/dão/ -es/ta/ pan/tera-“ / “Foi/ tua/ com/pa/nhei/ra in/se/pa/rável!” (...) O autor não faz questão de usar rimas ricas, mas a sua forma de escrever é um tanto formal. Suas rimas estão organizadas desta forma: ABBA BAAB CCD EED – rimas interpoladas e rimas emparelhadas.
            Comparando as quatro poesias, todas se assemelham bem em sua forma pois os autores optaram por escrevê-las em sonetos formados por decassílabos. Na escolha de sua temática, todos também demonstram um ponto de vista subjetivo, mesmo que seja para falar de um sentimento negativo como a ingratidão que Augusto dos Anjos retrata. É bom comentar que em todos não há a padronização do uso de rimas ricas ou pobres, ou seja, por mais que a forma importe, ela não é exageradamente priorizada. Há um equilíbrio entre sentimento e forma.

Bibliografia
Poemas encontrados nos sites:
Informação extra:
https://www.normaculta.com.br/classificacao-de-rimas/

Texto por: Janaína.
(06/05/2018)

Análise comparativa sobre a abordagem do tema e das escolhas formais entre os poemas religiosos de José de Anchieta e Gregório de Matos.


Analisando os poemas Em Deus, meu criador de José de Anchieta e A Jesus Cristo Nosso Senhor de Gregório de Matos podemos notar como a poesia reflete o contexto histórico em que foi escrita – ambos possuem a temática religiosa, porém sua abordagem e sua forma são totalmente diferentes.
Quando Anchieta escreveu Em Deus, meu criador, os jesuítas estavam em missão de catequizar os índios e o poema possui características perfeitas para isso: tem uma linguagem mais simples, um modelo popular do tipo que fica preso com facilidade na mente de seu ouvinte – os indígenas que no caso ainda estavam aprendendo a língua portuguesa. Em um estilo totalmente diferente, Gregório de Matos utiliza o soneto como sua forma e também faz o uso de palavras mais rebuscadas em sua composição – características da poesia barroca.
Na abordagem do tema religioso, em contraposição ao modelo quinhentista de Anchieta, o poema A Jesus Cristo Nosso Senhor de Gregório de Matos mostra um lado mais pecador do servo de Deus e que mesmo assim, tem uma intimidade com o divino e conversa diretamente com o Todo-Poderoso, suplicando pelo perdão. No texto de Anchieta, é mostrado que a relação entre Deus e seu servo, melhor acontece quando este se entrega totalmente – quem o teme, está mais perto de ser salvo. Essa abordagem é utilizada para que o índio deixe suas culturas ancestrais e seus deuses para que possa seguir o deus cristão.


Texto por: Janaína.
(21/02/2018)